quando vierem
Por Hector Othon
Quando vierem angústias
como rios sem margem,
agitações cortantes
e medos sem nome,
quando neuras rodarem
feitas vento em espiral,
e transes te chamarem
com vozes de cristal quebrado —
quando qualquer um
tentar te emprestar seu caos,
como quem oferece abrigo
mas guarda espinhos na sombra —
sai correndo, se puderes.
Não por medo, mas por respeito
ao templo que és.
Mas se o caminho apertar
e o encontro for inevitável,
sorri — não com os lábios,
mas com a alma inteira —
e deixa fluir.
Porque as sombras
nunca souberam bem
o que fazer
diante da luz que não discute,
não revida,
não se contorce —
apenas brilha.
E elas, as sombras,
confessam em silêncio:
não gostamos da luz.
Por isso fogem.
Ou se queimam.
Tu, porém,
não és fuga nem chama.
És o rio que passa,
e ao passar, transforma
até a rocha mais dura
em leito de luar.
Que este poema te sirva como escudo suave e espelho límpido, — porque tua luz já nasceu sabendo dançar com a escuridão, sem jamais se confundir com ela. 🌙🦂✨
te amo
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